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Leed, Aqua e Selo Azul: certificações ambientais de edificações

A construção civil é um grande gerador de resíduos e emissor de gases de efeito estufa. Organizações públicas e privadas criaram normas para reduzir os impactos gerados pelo setor; selos ambientais tem a função de atestar sua a sustentabilidade.

Com o objetivo de incentivar mudanças no setor da construção civil para adequação às agendas de sustentabilidade, vários países desenvolveram sistemas de certificação ambiental para edificações. Também conhecidas como como selos verdes, as ferramentas são voltadas principalmente para questões relativas a impactos ao meio ambiente e consumo de recursos naturais.

De acordo com o Relatório Global de Status da ONU para edifícios e construção (2019), “a construção e as operações de construção representaram a maior parcela do uso final global de energia (36%) e das emissões de CO2 relacionadas à energia (39%) em 2018”. Como você pode ver no gráfico abaixo, os edifícios são responsáveis ​​por mais uso de energia e mais emissões que qualquer outro setor.

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Além disso, a indústria da construção contribui com uma quantidade significativa de resíduos. Embora os programas de reciclagem ajudem a reduzir o desperdício que acaba nos aterros, os resíduos de construção e demolição ainda são significativos.

Benefícios da Certificação Green Building

Um dos principais benefícios alcançados ao construir edifícios verdes é a economia significativa em consumo de energia, aquecimento e refrigeração durante a vida útil do edifício. 

O valor de um edifício também pode aumentar quando ele recebe um selo verde. De acordo com um relatório da Morgan Stanley (2016), o retorno do investidor é impulsionado por dez principais fatores que os edifícios sustentáveis ​​ajudam a melhorar: despesas com resíduos; despesas de energia; despesas de água; despesas de financiamento; custos de manutenção e reparo; custo de seguro; custo de financiamento; taxa de ocupação; rent premium e valor da propriedade.

O valor da propriedade aumenta quando as despesas operacionais diminuem e as taxas de aluguel e ocupação aumentam. Ainda segundo o relatório, a certificação em si não agrega valor, mas identifica uma propriedade que reduziu as despesas operacionais e aumentou a satisfação do ocupante. 

Infelizmente, a maioria dos benefícios percebidos da construção verde tendem a girar em torno do dinheiro, uma métrica tangível para calcular os efeitos. A saúde e a felicidade humanas melhoradas não podem ser calculadas, mas também são um fator importante que não deve ser esquecido. Todo mundo quer viver saudável ​​e felizes; como passamos grande parte do nosso tempo em ambientes fechados, incorpordores, arquitetos e engenheiros devem se esforçar para construir o melhor ambiente possível.

Desafios para a construção de "edifícios verdes"

O maior desafio ao adotar estratégias de design sustentável tende a ser o custo associado à seleção de materiais e sistemas de construção que atendem aos critérios do sistema de classificação. Isso geralmente é compensado pela economia de energia ou pelo aumento da produtividade humana. No entanto, muitos construtores e incorporadores desejam obter retorno de investimento no máximo em 5 anos, o que dificilmente se obtém ao seguir a maioria dos programas.

Para compensar isso, cidades de diversos países desenvolveram códigos ou outra legislação que exigem estratégias ecológicas. Os municípios desenvolvem critérios de desempenho energético, podendo ou não exigir o uso de determinado sistema de classificação.

Outro problema para arquitetos e engenheiros que tentam implementar sistemas de classificação específicos é que o mercado geralmente não está preparado para todos os sistemas de classificação. As equipes operacionais de construções mais sofisticadas também podem não estar preparadas para executar sistemas mais avançados. Sistemas de ponta podem usar mais energia se executados incorretamente; o que pode ser solucionado com treinamento adequado, mas também gerando custos para o proprietário

Sistemas de classificação usados no Brasil

Existem diversos sistemas de classificação que atendem a diferentes tipos de projetos ou objetivos. A maioria das pessoas conhecem o LEED, BREEAM e ENERGY STAR. No Brasil, os sistemas mais usados para avaliar as edificações habitacionais são o LEED, o Processo AQUA e o Selo Casa Azul

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Primeiro edifício de ensino no Brasil a receber a certificação ambiental LEED - nível Ouro | Colégio Positivo Internacional | Projeto: Manoel Coelho Arquitetura e Design | Foto: Nelson Kon

LEED ®, significa Liderança em Energia e Design Ambiental e é um dos principais sistemas de classificação de sustentabilidade. Embora a maioria dos projetos com certificação LEED esteja nos Estados Unidos, o programa também é bem conhecido internacionalmente. O sistema de classificação LEED começou em 1998 como um programa piloto e cresceu para certificar dezenas de milhares de projetos. No Brasil, a certificação doi lançada em 2007. 

Os projetos se enquadram dentro dos seguintes sistemas de classificação:

LEED BD + C - Novas Construções: destina-se a novas construções ou grandes reformas de edifícios comerciais, escolas, varejo, hospitalidade, saúde, centros de dados e armazéns. Edifícios residenciais com mais de seis andares se enquadram no sistema de classificação LEED BD + C.

LEED ID + C - Design de interiores: abrange projetos comerciais de interiores, comumente referidos como adequações de inquilinos. Podem ser projetos de escritórios, varejo, assistência médica ou hospitalidade em um edifício maior de núcleo e reservatório.

LEED O + M - Edifícios existentes: é um sistema de classificação para edifícios existentes, onde há pouco ou nenhum trabalho de construção.

LEED Casa: aplica-se a residências unifamiliares e a edifícios residenciais multifamiliares ou de tamanho médio, com seis andares ou menos.

Os projetos que buscam a certificação LEED são analisados por oito dimensões. Todas possuem pré-requisitos (práticas obrigatórias) e créditos (recomendações) que a medida que atendidos, garantem pontos à edificação. O nível da certificação é definido, conforme a quantidade de pontos adquiridos, podendo variar de 40 pontos a 110 pontos. Os níveis são: Certificado, Silver, Gold e Platinum.

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O edifício Even True Chácara Klabin, em São Paulo. O primeiro da construtora a receber certificação AQUA | Foto: Divulgação

O Processo Aqua - Alta Qualidade Ambiental é definida como sendo um processo de gestão de projeto visando obter a qualidade ambiental de um empreendimento novo ou envolvendo uma reabilitação.O Processo AQUA avalia o desempenho ambiental de uma construção por sua natureza arquitetônica e técnica, bem como pela gestão. Estrutura-se em dois instrumentos principais: o Sistema de Gestão do Empreendimento (SGE) e o referencial de Qualidade Ambiental do Edifício (QAE). Na visão deste selo, a gestão da edificação, permite definir as vertentes de projeto que irão atingir e manter os níveis de qualidade ambiental.

Na metodologia do AQUA verifica-se catorze categorias, ou conjuntos de preocupações, que são agrupadas em quatro famílias. Este escopo permite avaliar edifícios majoritariamente destinados ao uso para escritórios ou escolas. As fases analisadas são a do programa de necessidades, a de projeto e a de construção. Apesar da fase de uso e operação da edificação não ser contemplada pela certificação, o Processo AQUA incorpora elementos que facilitam o desempenho ambiental após a entrega da obra.

Os níveis que uma edificação pode obter pelo Processo AQUA são relacionados à Qualidade Ambiental do Edifício. O desempenho associado pode ser Bom, Superior ou Excelente.

O Processo Aqua foi criado no Brasil a partir da metodologia francesa HQE – Haute Qualité Environnementale do órgão Certivéa com referencial técnico brasileiro. São emitidos 6 tipos de certificação: Edifícios Habitacionais; Escritórios e Edifícios Escolares; Renovação; Hospedagem, Lazer, Bem Estar, Eventos e Cultura; Bairros e Loteamentos.

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O edifício Even BC Bela Cintra, em São Paulo, edifício com Selo Casa Azul | Foto: Divulgação

Já o Selo Casa Azul é um instrumento de classificação socioambiental destinado a propostas de empreendimentos habitacionais que adotem soluções eficientes na concepção, execução, uso, ocupação e manutenção das edificações. São elegíveis projetos novos em fase de análise ou já analisados e contratados, desde que a obra ainda não tenha sido iniciada. Caso o projeto atenda aos critérios exigidos, o proponente recebe o certificado de concessão do Selo Casa Azul + CAIXA no nível alcançado no ato da contratação e a Caixa verificará durante o acompanhamento da obra se o empreendimento será executado conforme o projeto certificado.

O Selo Casa Azul foi o primeiro sistema de certificação criado para a realidade da construção habitacional brasileira. Foi desenvolvido em 2008 por uma equipe multidisciplinar em parceria com a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Universidade Federal de Santa Catarina e Universidade Estadual de Campinas.

Existe também o Selo Procel Edificações, estabelecido em novembro de 2014, é um instrumento que tem por objetivo principal identificar as edificações que apresentem as melhores classificações de eficiência energética em uma dada categoria, motivando o mercado consumidor a adquirir e utilizar imóveis mais eficientes. Este é um setor de extrema importância no mercado de energia elétrica, representando cerca de 50% do consumo de eletricidade do país.
        
Nos edifícios comerciais, de serviços e públicos são avaliados três sistemas: envoltória, iluminação e condicionamento de ar. Nas Unidades Habitacionais são avaliados: a envoltória e o sistema de aquecimento de água. O Selo Procel Edificações é outorgado tanto na etapa de projeto, válido até a finalização da obra, quanto na etapa da edificação construída. Os modelos e as formas de aplicação do Selo estão descritas no Manual de Identidade Visual do Selo Procel Edificações.



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