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Projeto brasileiro propõe adaptação de ônibus para uso em unidades móveis de saúde

As unidades visam atender usuários que deixaram de ir aos hospitais por temerem contaminação com o coronavírus. Conheça o projeto!

Ônibus de Saúde Imediata (O-SI) é um projeto do escritório brasileiro Democratic Architects que sugere um novo espaço móvel de unidade básica de saúde, um sistema focado em telemedicina voltado à população. A proposta prevê a reutilização de ônibus que foram retirados recentemente de circulação da região metropolitana de São Paulo e a adaptação de seus espaços internos para uso clínico. A ideia atende a uma demanda emergencial decorrente da atual pandemia, quando as pessoas estão evitando ir aos hospitais, às Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e às Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) para evitarem uma possível contaminação pelo novo coronavírus. 

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Montagem do Ônibus de Saúde Imediata (O-SI) na Praça das Artes. Imagem de fundo:. Image © FLAGRANTE - Romullo Fontenelle

O projeto prevê a reutilização de até 4.800 veículos urbanos. Andre Enrico Cassettari Zanolla, do quinto ano de Arquitetura da FAU-USP e coordenador do projeto, tem expectativa de que as primeiras unidades entrem em operação, no máximo, em 40 dias, uma vez que a proposta já foi encaminhada à Prefeitura de São Paulo para análise. O projeto também está na Câmara Municipal para discussão e viabilidade de implantação das unidades com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e a Secretaria Municipal de Transportes (SMT).

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Embora adaptável a qualquer ônibus urbano, o melhor é o modelo Padron de 13 metros de comprimento, contendo quatro portas, o que permite que o acesso das pessoas ao veículo ocorra de forma separada. De um lado, entrada de pacientes e médicos; e do outro, a circulação de insumos e parte técnica. A divisão interna será feita em três partes: a traseira abrigará a área técnica, destinada a estocagem de insumos, central de energia e gases e impressora 3D, em alguns casos; já a parte central, com 20 metros quadrados (m2), corresponderá à área clínica para atendimento médico; e a frente, isolamento do motorista.

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As unidades móveis seriam voltadas para esses casos de baixa complexidade mas que, se não tratados, podem acarretar problemas aos indivíduos. Elas poderão ser instaladas por tempo determinado em lugares como Sescs, CEUs e Escolas Estaduais de Educação Infantil (EMEIs).

AGENDAMENTO REMOTO DE CONSULTA

Paralelo à implantação do projeto, o estudante trabalha no desenvolvimento de um aplicativo para celular para agendamento remoto de consultas nessas unidades móveis e, assim, evitar aglomerações desnecessárias no local. Cada ônibus terá a capacidade de atender até três pessoas por vez, realizando avaliação de triagem e atendimento de baixa complexidade.

Zanolla explica que a ideia da unidade móvel de saúde foi desenvolvida a partir do resultado de uma pesquisa de amostragem que fez com mais de 200 pessoas dentro e fora da USP. Pelos retornos das respostas, identificou que um dos efeitos indiretos decorrentes da atual pandemia era a diminuição das idas a hospitais e UPAs por parte da população, o que, a seu ver, poderia acarretar eventuais complicações à saúde dessas pessoas. Dos entrevistados, quase 95% responderam que acreditam que seus familiares e amigos deixariam de ir a hospitais tratar problemas de saúde considerados leves, por temer serem infectados pelo coronavírus; e outros 83% responderam não ter ido a um hospital (público ou privado), posto de saúde, UBS ou UPA desde o início da quarentena, em 23 de março.

Quanto ao custeio da adaptação dos espaços internos dos ônibus, que deverá ficar em torno de 150 mil reais cada módulo, Andre Enrico está apostando em parcerias públicas e/ou privadas de financiamentos. Poderá vir da própria prefeitura ou de bancos e empresas. Zanolla submeteu o projeto ao grupo Todos pela Saúde, formado por bancos privados que criaram um fundo de combate ao coronavírus. Até o fechamento desta matéria, ele ainda não tinha obtido resposta.

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O passo seguinte seria a alocação de profissionais da saúde para atender no O-SI – Ônibus de saúde imediata, que ficaria estacionado por tempo determinado em lugares como no Serviço Social do Comércio (Sesc), Centros Educacionais Unificados (CEUs) e Escolas Estaduais de Educação Infantil (EMEIs). A consultoria médica do projeto foi feita pelo médico Sun Rei Lin, do Hospital São Paulo e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O O-SI – Ônibus de saúde imediata poderá aliviar o sistema de saúde em tempos de pandemia. Ao final da atual crise de saúde, o projeto será poderá ser escalado e multiplicado, funcionando na vanguarda das unidades básicas de saúde, operando off-grid quando necessário, de forma tecnológica e pontual com pré-agendamentos e triagem realizados por aplicativo e de maneira não presencial, visando reduzir custos para o sistema de saúde e democratizando o acesso universal à saúde e o atendimento de qualidade; sem filas e sem surpresas.

Além de Andre Enrico Cassettari Zanolla, participaram do grupo de trabalho o escritório de arquitetura @democratic_architects, que deu origem ao projeto, Antônio Roberto Zanolla, ex-aluno da FAU, e Rennan Carlos, da Universidade Anhembi Morumbi. O Democratic Architects é um escritório de pesquisa e desenvolvimento de projetos arquitetônicos criado para produzir projetos de cunho social, formado por uma equipe multidisciplinar.


* com informações do Jornal da USP e @democratic_architects.

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